Mellina e sua cão-guia Hilary, juntas viajam por aí! 4 Patas pelo Mundo.Entrevista News. Por Mellina Hernandes

Quantas vezes na vida sempre deixamos para depois o que queremos, quando digo que temos uma só vida e temos que aproveitá-la ao máximo, nos amando mais, dando mais valor ao afeto do que bens materiais.

Hoje trago uma entrevista incrível dessas duas lindas, que com certeza elas irão te inspirar a enxergar a sua vida de outra maneira…

 Onde nasceu, idade, profissão e estado civil.

São Paulo, 35 anos, turismóloga (formada em Turismo) trabalhando como blogueira, solteira.

Belo Horizonte

   Com quantos anos começou a viajar?

Viajo desde sempre! Meus pais sempre gostaram muito de viajar, eles que plantaram essa sementinha viajante em mim.

   Sua deficiência visual é de nascença? A Hillary entrou como na sua vida?

Não, tenho uma degeneração na retina chamada de distrofia de cones e bastonetes, é uma doença progressiva. Descobri a patologia aos 14 anos e ela se agravou aos 27, quando realmente precisei encarar a deficiência visual, usar a bengala… Foi um processo difícil, fiz terapia, frequentei a Fundação Dorina Nowill para cegos e aos poucos fui aprendendo a lidar com o fato de ser deficiente visual. Hilary chegou em minha vida em 2014, chegou me trazendo muito mais autonomia e melhorando a autoestima! Consegui meu cão-guia através de um projeto do Sesi SP em parceria com o Instituto IRIS, infelizmente esse projeto não existe mais, mas beneficiaram 9 deficientes visuais.

Orlando – EUA

   Qual país te emocionou mais?

Eu gosto de dizer que cada viagem é única, são sempre experiências diferentes. Mas Orlando é a cidade mais marcante para mim, no quesito emocional. Tive a oportunidade de morar lá por 1 ano. Foram 3 experiências vividas em Orlando, na infância, quando ainda enxergava, na fase adulta com baixa visão, quando morei, e em 2017 quando já não enxergava mais. Em cada uma delas “enxerguei” Orlando de um jeito, mas todas elas foram emocionantes e marcantes!

   Conte um perrengue engraçado que aconteceu com vocês duas.

Já passei por alguns perrengues com a Hilary, mas um dos mais marcantes foi quando fomos para a Disney. Antes de ir para Orlando pesquisei sobre ir com cão-guia nos parques, muitas pessoas me diziam ser bem estruturado, que viam vários cães-guia e cães de serviço nos parques da Disney, etc, então fui crente que seria tudo bem tranquilo. Ganhei o ingresso Hoper, que te dá direito a visitar todos os parques da Disney em 1 dia, e foi o que quis fazer, nessa viagem a minha mãe me acompanhou porque pesquisei se teria alguém para me acompanhar nos parques e me disseram que não, teria que pagar por um guia, então resolvi levar a minha mãe. O planejamento era fazer o Epcot, Hollywood Studios, Animal Kingdom e finalizar no Magic Kingdom com a queima de fogos, porém, finalizamos no Animal Kingdom comigo sentada na cadeira de rodas e a Hilary em meu colo porque ela não aguentava mais andar, ela travou e não saia do lugar, foi desesperador, e foi a única solução que tivemos para que ela descansasse um pouco para pelo menos conseguirmos ir embora.

Goiânia

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    Tem vontade de morar fora do Brasil?

Sim e não. Já tive muita vontade, mas hoje, com o agravamento da visão, tenho dúvidas. Preciso analisar muito bem o país para onde irei, além de que só iria se fosse para morar legalmente e não é tão simples assim, dependendo do país que você vai. Outra questão é o cão-guia, tirando os EUA, penso que estão bem avançados com relação a lei, se compararmos com alguns países.

   O que é necessário para viajar com um cão para fora do Brasil?

Precisamos tirar o CVI (Certificado Veterinário Internacional), essa documentação deve ser providenciada no Ministério da Agricultura, dependendo do país é uma exigência diferente que precisa levar para tirar o CVI.    Quanto custa um cão guia nos dias atuais? O governo ajuda em algo, existem políticas públicas para isso? Acha que funciona?

Os cães-guia são doados, não é recomendável que se pague por um cão-guia

Mulher com seu cão guia em frente ao monumento escrito o nome da cidade Montevidéu-Uruguai, durante o dia.
Praia Pipa – Rio Grande do Norte

    Uma comida inusitada que já comeu por aí…

Não considero que seja inusitada porque muita gente gosta…rs… mas sou meio fresca com comida, não saio provando muitas coisas diferentes, mas em nossa visita ao Uruguai, o hotel que nos hospedamos em Punta del Este ofereceu um jantar para mim, meu namorado e os guias. O chef de cozinha foi até a mesa falar o cardápio, não entendi boa parte, no final ele perguntou se tinha algo que não gostávamos, dissemos estar tudo OK, se não me engano eram 3 pratos, quando chegou o segundo, comi, achei estranho mas dava para engolir, meu namorado resolveu perguntar o que era, a guia disse “pulpo”, fiquei na mesma, quando ela falou em inglês “Octopus”, falei “argh! É polvo!” depois disso não consegui engolir mais nenhum pedaço…rs

 O que falaria para quem tem medo de viajar….

Eu amo viajar, mas tenho medo sempre que viajo sozinha, nunca sei como será, fico com receio se alguém irá me ajudar, se terei muitas dificuldades, se os estabelecimentos irão se negar a entrada da Hilary… mas não podemos deixar que esse medo nos domine. O medo existe, mas somos muito mais fortes do que ele! A melhor sensação é sempre que chego no hotel depois de um dia intenso de passeio, melhor ainda quando estou voltando para casa e tudo deu super certo, venci o medo, conheci pessoas, lugares, tive uma mega experiência! A vida é muito curta, passa rápido demais e precisamos aproveitar! Nunca imaginei que um dia ficaria deficiente visual, que eu, amante de viagens, passaria a não enxergar mais as belezas dos lugares que visito, mas sabem de uma coisa? Acho que hoje aproveito bem mais, eu “sinto a beleza” dos lugares, eu “sinto” o acolhimento das pessoas, eu “sinto” o sabor e aroma da comida, não faço um pré-julgamento, somente aproveito tudo como deveria ser, “sem julgamento pela capa”. Então se permita viver e aproveitar a vida!

Belo Horizonte

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About Janah Leite

Pedagoga, ama ser a mãe da Maria, gosta de inspirar as pessoas a viverem seus sonhos. Está em mudança de profissão para finalmente viver o nomadismo digital, que é sua grande meta de vida, junto com sua filha. Sempre tem uma visão positiva de seu posicionamento no mundo. Encara a viagem como uma busca constante de compreender o comportamento do ser humano, em suas diversas facetas, criando mais empatia e entendendo que somos iguais em diversas necessidades, independente da cor, religião, opção sexual e classe econômica.