O que um Mochilão, pode mudar seu olhar, para o mundo a sua volta.

Quando decidi viajar… pois isso é uma decisão! Uma decisão interna que busco conhecer novos lugares e culturas. Mas existem várias formas de viajar… Mas atenção! todas as viagens devem ser respeitadas, sejam apenas para descanso da alma, sejam apenas por diversão, sejam sua viagem apenas para fugir de algo.

Bom…planejei essa viagem pela América do Sul por muito tempo, mas o que quero mesmo é viajar pelo mundo todo,mas no momento não posso, então posso ir por partes, dentro da minha realidade financeira, dentro do meu tempo.

Quando decidimos viajar sem rumo específico, sem roteiros, sem um guia, podemos exercitar nosso poder de agir em situações adversas, que só quem coloca uma mochila nas costas ou uma mala nas mãos vai entender isso. A sensação de liberdade é incomum, quando estamos na estrada tudo que acreditamos pode mudar em 1 minuto, pois nos deparamos com situações reais, não só aquelas que vemos na televisão ou em sites por aí… vimos ali, na nossa frente. E que decisão tomar? Sempre ouvimos para não conversarmos com estranhos, não confiar em estranhos…uma das primeiras coisas que quebram esse ensinamento desde a tenra idade é isso… Pois o  que mais fazemos é conversar com estranhos, confiar nas informações de estranhos…pois na estrada não há espaço para discriminações, estamos ali, vulneráveis, por mais desconfiados que somos, não há escolha, temos que confiar.

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Cemitério de Trens – Uyni/Bolívia

Nesses 40 dias solta por alguns países da América do Sul (Paraguai, Argentina, Bolívia e Peru), pessoas que menos esperava ajuda, foi a que mais ajudaram eu e minha filha. Perrengues foram vários, que levo como aprendizado para o próximo mochilão..sempre vamos errar em algo e isso é normal, pois somos seres em constante desenvolvimento, nunca vamos saber tudo…e sinceramente? Nem quero. Aprender o novo é excitante e nos move para a melhoria do nosso ser e também para quem está a nossa volta, pois fica nítido para quem convive conosco, nossa leveza espiritual que adquirimos, quando voltamos de alguma viagem. Começamos a nos preocupar menos com as coisas, quando digo isso, não é se tornar irresponsável, mas começamos a nos preocupar para o que realmente devemos nos preocupar. Aprendemos que devemos nos preocupar com o hoje, devemos sim planejar o futuro, mas querer ser melhor hoje e não amanhã. Sempre fui uma pessoa intensa, desde criança, uma sonhadora nata, mas com o passar do tempo vou piorando esse situação,rssss. Tinha preocupações que a sociedade nos empurra todos os dias em nossas mentes…preocupações que não devemos ter de forma tão manipuladora, que controla sua felicidade, com aquela formula: nascer, crescer, estudar, casar, envelhecer e morrer. A vida é mais que isso… a vida é mais que pagar boleto e morrer!

Poder levar minha filha nas viagens é um presente… quero que ela veja de perto a realidade de outras culturas e povos, não quero que ela se torne refém, de uma sociedade que busca felicidade em coisas e não em momentos reais.

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Fronteira Argentina/Bolívia cidade de Villazon/Bolívia

Hoje em dia não me atrevo a reclamar da vida, não tenho DIREITO de reclamar, tantas pessoas necessitadas e a margem da sociedade, não posso reclamar de nada, tenho uma vida maravilhosa. Também não posso usar disso para desmerecer os menos favorecidos, não posso usar esse conhecimento para menosprezar os que vivem uma realidade diferente da minha, não tenho o direito de desmerecer a luta de nenhum movimento/cultura/religião, eu não vivo aquele problema social para eu me meter e dizer que é vitimismo…essa palavra só vem de pessoas que não vivem na pele o sofrimento do outro e se  eu não vivo aquilo então não existe? Desbravando cada cidade por aí, vamos aprendendo que a palavra empatia, deveria ser a primeiro do dicionário da vida.

 

About Janah Leite

Pedagoga, ama ser a mãe da Maria, gosta de inspirar as pessoas a viverem seus sonhos. Está em mudança de profissão para finalmente viver o nomadismo digital, que é sua grande meta de vida, junto com sua filha. Sempre tem uma visão positiva de seu posicionamento no mundo. Encara a viagem como uma busca constante de compreender o comportamento do ser humano, em suas diversas facetas, criando mais empatia e entendendo que somos iguais em diversas necessidades, independente da cor, religião, opção sexual e classe econômica.