Casal decide largar a correria de SP, para viver em uma Ilha. – Entrevista News

Conheça o casal Fernando e Waleska, que decidiram juntos largar a correria da cidade grande para viver na tranquilidade de uma Ilha.

Abandonar o que é considerado “mais seguro” e ir atrás dos sonhos, não é qualquer pessoa que faz isso, deixar a comodidade das casas dos pais, a comodidade dos grandes centros urbanos, onde tudo acontece. Mas será que felicidade é isso? E você está correndo atrás dos seus reais sonhos ou vivendo os sonhos dos outros? Será que você quer mesmo se formar naquele curso que alguém da sua família te empurra para fazer? E você por acreditar e ver isso na mídia o tempo todo, vai lá e faz, só para alimentar um ego, esse ego que por sinal não é seu. Vamos pensar um pouco mais nisso, pensar no que nos faz felizes, seja como médico ou pipoqueiro, seja como um garçom ou um dono de hotel, felicidade não está em diploma ou status nas redes sociais, felicidade vão além disso. Existem pessoas que vão contra a maré, contra o que a sociedade julga ser o certo e são criticadas e às vezes chamados de loucos.  Existem outras pessoas que não, algumas fazem coisas apenas por comodismo seguindo a vida como uma linha de produção, ensinado desde quando ainda estamos na barriga de nossas mães…pois já dentro da barriga os pais já vão traçando nossa rota, aquela tia chata também,rsss… já imaginam até o dia do nosso casamento, mesmo não sabendo se vamos querer casar ou não. rssss.

Mas esquecem que cada ser humano é singular, é feito de desejos próprios, desejos que muitas vezes não são respeitados e infelizmente muitos não questionam e seguem esse fluxo, mesmo que por dentro existem anseios diferentes de vencer na vida.

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Esse casal decidiu largar a selva de pedras São Paulo/SP, para morar na Ilha Grande/RJ, há quase dois anos vivem na Ilha Grande, atualmente trabalham na recepção de pousadas na ilha, cada um em uma pousada, também trabalham de forma virtual na empresa de turismo Soul Adventure, fornecendo informações sobre hospedagem e passeios dentro da Ilha Grande.

Todas as imagens que ilustram o post,são da Ilha Grande/RJ.

Vamos conhecer um pouco mais deles então…e saber o motivo que os levaram a buscar uma vida nova…

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O que significa vencer na vida para vocês?

A pergunta já responde o que eu entendo por vencer na vida. E não é seguir o padrão que a sociedade acha que é certo. E sim o que significa para mim. Além disso, a palavra vencer está diretamente ligada a felicidade. Logo, preciso ser feliz em algo para dizer que me sinto vencedora/vencedor. E também acredito que todos passamos por fases. Se tratando de nós dois, vivendo juntos, acredito que é ter conquistado nossa liberdade, andar com nossas próprias pernas, sempre com a humildade de saber de onde viemos, e chegar aqui onde (e como) estamos com a certeza de que somos felizes, e também descobrindo a cada dia o que mais pode nos fazer feliz, e que nos define como vencedores.

A quanto tempo estão juntos?

Nos conhecemos (só de vista) há muitos anos, porque nascemos no mesmo bairro. Mas nos conhecemos, conversamos e ficamos a primeira vez em dezembro de 2012. Nos separamos por um tempo. E na metade de 2015 voltamos. Em agosto nos mudamos para a Ilha, e cá estamos, há quase 2 anos.

Qual foi a gota d’água para vocês decidirem sair do “sistema”? É possível isso?

Não sei se posso dizer que teve um ponto específico. Acredito mais em um conjunto de situações, experiências e desejos. Nós dois sempre moramos com os pais. Trabalhávamos, mas para nossa experiência profissional e diversão, não exatamente para arcar com responsabilidades. E mesmo assim sentíamos a pressão que era esse ritmo da cidade. De seguir esse padrão de trabalho e descanso. De acreditar que precisamos trabalhar de segunda a sexta e ser feliz só no fim de semana. Aquela rotina de gastar dinheiro só com rolê, bebida… E aí segunda-feira volta aquela rotina. Encarar o caos nas ruas, a falsidade das relações de trabalho (apesar de sempre existir pessoas boas que levamos para nossa vida pessoal). Nos conhecemos quando ambos estavam em momentos parecidos. Nos afastamos por um tempo. Eu fui viver um sonho. Ele continuou a vida dele aqui. E quando voltei parece que nossos desejos estavam alinhados de novo. Foi muito natural esse desapego da cidade.

Cidade da onde sairam pra viver na Ilha Grande

Saímos de São Paulo, capital.

Por que a Ilha Grande?

Visitamos a Ilha pela primeira vez em um feriado, como turistas, mas com um olhar de desejo por viver em um lugar como esse. E quando voltamos para São Paulo nossa mente já não era mais a mesma. Sentimos que encontramos um lugar que une todas as coisas que gostamos e assim despertou nossa vontade de viver esse sonho. 

Foram julgados pelos familiares pela atitude de vocês?

Sim, por alguns, sempre tem. Mas não acredito que tenha sido por mal. Grande parte é preocupação.

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Quem tomou a iniciativa?

Os dois. Na verdade, sempre que estávamos juntos em casa passávamos muito tempo pesquisando sobre viagens, estilos de vida que nos interessavam. Emitimos muito essa energia, esses desejos.

Quem de vocês dois teve que convencer mais o outro para essa mudança de vida?

Não precisou. Foi uma decisão totalmente em conjunto.

O que é qualidade de vida para vocês?

Volto a primeira pergunta. Primeiro é ser feliz. Encontrar o que me faz bem. Mas indo um pouco mais a fundo, pessoalmente, é estar próximo a natureza. É se reconectar com ela. É ter a natureza como parte do nosso dia a dia. Não posso dizer que vivo todos os dias cultuando as árvores e o mar, rs. Mas hoje sinto que dou mais valor sim a tudo isso, do que quando vivia na cidade.

Como é viver fora dos padrões que a sociedade impõe desde quando nascemos?

Viver aqui não é exatamente viver fora dos padrões. Aqui nós trabalhamos normalmente, somos funcionários de empresas. Como era em São Paulo. Temos horários, responsabilidades. Temos uma rotina. Mas conseguimos mudar muito do padrão que tínhamos na cidade e que já não queríamos mais. Fora que mudamos as prioridades. Hoje é mais importante gastar o tempo livre cuidando das nossas coisas, assistindo um filme, fazendo uma trilha, um passeio de barco, descobrindo coisas que nunca fizemos e que agora com essa liberdade estamos gostando de fazer. Acho que a palavra padrão já é ruim porque defini como algo TEM que ser. E aqui nós estamos aprendendo juntos que mesmo tendo algumas responsabilidades que precisamos ter para nos manter, podemos viver da forma que queremos, sem seguir regras. Adaptando nossa responsabilidade e rotina ao que vamos aprendendo e desejando.

O que fazem hoje em dia, no dia a dia de vocês, que antes, em São Paulo, nem pensavam em fazer?

Ir a praia na hora do almoço do trabalho. Aqui o sábado e domingo não são tão desejados, a não ser que queiramos ganhar um dinheiro a mais, rs. Aqui temos uma folga por semana, a minha na terça e a dele na quinta. A semana parece fluir com mais calma, apesar de ser bem puxado e ficarmos bem cansados no fim do dia. Mas não temos aquela loucura por sexta-feira, como tínhamos em São Paulo. Tentamos viver todos os dias iguais.

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Antes de se mudarem para Ilha Grande, quais eram os outros sonhos…o que pensavam em fazer da vida, antes de pensar em ficar perto a natureza? Ou sempre tiveram isso em mente?
Sempre amei praia. Desde que me conheço por gente vou à praia com minha família e depois com amigos. Fernando também ama a natureza e a praia e sempre viajou com os amigos. Sempre gostei desse contato. Mas o desejo de morar na praia começou depois que minha mãe se mudou para Ubatuba. E depois que nos conhecemos (eu e Fernando) isso se fortaleceu, porque os desejos eram iguais.
O que pensam sobre competitividade de ter bens materiais…ate que ponto é benéfica ou não?
 
Acredito que a única competição saudável é a que travamos com nós mesmos. Sermos pessoas melhores a cada dia. Superarmos nossos próprios limites. E competir com os outros é só uma forma que o sistema encontrou para que cada cidadão tenha seu lugar.
O que é ser rico pra vocês?

Olha, pode parecer clichê, mas é ter saúde. Com certeza. E se conseguirmos conquistar uma situação financeira boa para consegui fazer o que desejamos, isso já será suficiente.

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O que falariam para as pessoas, que desejam sair dos padrões como vocês?
Primeiro acho que cada um tem seu tempo. Até porque cada ser humano teve suas experiências. E não se pode criar uma cartilha para isso. Mas eu diria que se você não tem dependentes e tem esse sonho, então é mais fácil. E não se trata de ter coragem. Se trata de usar inclusive o medo para que sabia lidar com os desafios que inclui essa liberdade e a realização de sonhos. 
                    
Fernando, qual era o sonho que sua família tinha de profissão para você? Waleska e para você?
Waleska. Fiz Direito, por incentivo de minha tia, que é  advogada. Não terminei. Fiz Gestão do Esporte, porque gosto de futebol, não terminei. Mas só conclui o Jornalismo. Família é tudo igual, né? Querem que você se forme e tenha um emprego para se garantir e ter um futuro tranquilo, inclusive quando eles já não estiverem mais aqui. Mas não adianta. Assim como nós mesmos mudamos, nossos sonhos também, e nossos pais precisam se adaptar, nos acompanhar e abençoar seja lá qual for nossa escolha. E comigo foi o que aconteceu. Minha família sempre me apoiou.
 
Fernando. No meu caso, todos em casa (pai, mãe e irmãs) sempre me cobraram muito para eu focar nos estudos e deixaram eu escolher a profissão, nunca houve pressão em relação a isso. Meu primeiro trabalho, por exemplo, foi aos 14 anos,  de pintor, no qual meu pai me ensinou. Com o passar do tempo, depois de ser pintor, vendedor, estoquista, office Boy,  entre outros bicos, eu finalmente consegui trabalhar com o que eu sempre desejei, que era Técnico de Informática. Acredito que estamos em constante transformação. Hoje por exemplo sou Recepcionista em uma pousada na Ilha Grande. Amanhã quem sabe eu seja um marinheiro. O importante é ser feliz e fazer tudo com muita dedicação e honestidade.  
 
Qual critica referente a nova vida de vocês te incomodaram mais?
Não ou críticas, só dúvidas.

                                             

Já foram chamados de vagabundos por ter ambições diferentes dos outros?  
Na minha cara nunca falaram, rs.
Afinal, o que querem ou buscam sobre vida?
Tranquilidade e viagem!
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Acreditam que devemos nascer, crescer, fazer faculdade, casar, ter filhos, netos, ter patrimônios, brigar por herança e finalmente morrer? É só pra isso que estamos a viver?
Não. Nós temos escolhas. É claro a educação é importante, é a base. Estudar, ler, conhecer a história das coisas, do mundo, das pessoas. Mas não sei qual é o jeito certo. Mas sei que o atual não me parece saudável. Mas acredito que hoje em dia muitas pessoas já têm se libertado dessa ideia de seguir uma linha de vida já pronta para o ser humano. Já estão entendendo que não é por esse caminho que a felicidade vem. E que cada um pode fazer do jeito que achar melhor. Ter, ou não, um diploma, um filho, um acasa própria. Acho que o primeiro passo, o que uma pessoa precisa hoje em dia, para definir o que é bom para si, é parar. Parar um pouco. Diminuir o ritmo. Olhar para dentro de si. Respirar. Olhar a sua volta. Ter a certeza de que não está numa linha de montagem onde é lavado sem vontade própria. É tentar entender profundamente seus desejos mais profundos. Assumi-los, dar prioridade e colocar a mão na massa.
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About Janah Leite

Pedagoga, ama ser a mãe da Maria, engajada em políticas sociais. Gosta de inspirar as pessoas a viverem seus sonhos. Sempre tem uma visão positiva de seu posicionamento no mundo. Encara a viagem como uma busca constante de compreender o comportamento do ser humano, em suas diversas facetas, criando mais empatia e entendendo que somos iguais em diversas necessidades, independente da cor, religião, opção sexual e classe econômica.