Perdi minha carteira de feminista, sou mãe em tempo integral. E agora? – Entrevista News

Não é de hoje que feministas são vistas como bruxas pela sociedade patriarcal, por esse motivo elas não são interpretadas de forma correta. O feminismo não proíbe nada, pelo contrário, ele quer que as mulheres sejam livres em suas escolhas, sejam quais forem elas.

É um mito falar que o feminismo critica as mulheres que ficam em casa, mulheres do lar, o problema é que muitas não querem estar no lar, queriam estar trabalhando, e os maridos machistas proíbem ou romantizam essa decisão. Muitos deles falam, de forma adocicada, que elas devem apenas ficar em casa, cuidando do marido e dos filhos. Todavia é aí que mora o perigo, é aí que entra o machismo velado. É nisso que ocorrem muitos debates e rixas contra as feministas. O grande problema também é que muitas mulheres que optam por ser do lar criticam as feministas e logo são rebatidas com piadas, porque ninguém é obrigada a aceitar nada. Falta de informação à parte, o feminismo se faz necessário a cada dia, você aceitando ou não, você acreditando ou não.

Vamos conhecer um pouco de uma mãe feminista, uma mulherão da porra, Samila. Um exemplo de mãe e de ser humano a ser seguido, cria seus filhos de forma que eles se tornem seres humanos ímpares, seres humanos que respeitem a diversidade e a luta alheia.

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Seu nome, idade, profissão?

Samila, 27 anos, mãe em tempo integral.

Janah: Samila mesmo, não Sâmila… viu amores e amoras…rsss.

Como foi sua infância?

Na maior parte normal. Filha de pais separados, irmã mais nova, criada nos anos 90. Passava o tempo estudando ou brincando na rua.

Era uma adolescente rebelde ou fofinha?

Até os 15 anos fofinha. Daí entrei na fase da rebeldia e quase deixei minha mãe louca. Mas passou! (sempre passa)

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Você era a mina popular da escola?

Do meu jeito, sim. Não era a mina popular por ser bonita e tal, mas era conhecida porque era a mais nova da turma, sempre, e me destacava no estilo de ser, vestir e, pra completar, era nerd.

Sua primeira gravidez, como encarou quando soube? Teve apoio? Conte-nos.

Chorei. Chorei muito! Meu maior medo era o de parir (aquele terror que recebemos de que parir é a morte em vida). Apoio, apoio, não. Mas também não fui abandonada. Minha mãe morou conosco nos primeiros anos, antes de eu engravidar pela segunda vez.

Seus relacionamentos amorosos como ficaram depois do nascimento dos filhos?

Fiquei casada por 7 anos com o pai dos meus filhos. Não vou dizer que foi um relacionamento ideal, mas me ajudou a amadurecer muito! Mas ser mãe e mulher não é fácil!

O que é maternidade pra você?

Um projeto científico. Sério. Foi assim que resolvi encarar desde o início. Ser mãe é um grande projeto, tipo um estudo de caso (psicologia). Mas é divertido. Juro.

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Eu gritava “avoa, passarinho, avoa!”. E ele gritava: “Mãe, eu sou um super-herói!”. Ser mãe é divertido. (Samila)

 

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Raul e Sophia fazendo biscoitos

Faria parto em casa? Sim… não… Por quê?

Sim!!! Meu sonho de princesa era parir o Raul (filho mais novo) em casa. Acho que hospitais não foram feitos para trazer vidas ao mundo. Em casa, a mãe tem muito mais domínio do próprio parto.

O que você acha das doulas?

Quando bem instruídas, são excelentes! Tenho muitas amigas que são.

Você também é mãe de pet? Justifique.

Eu vou me manter rindo por longos minutos até conseguir respirar. Ser tutora de um pet NUNCA será igual a ser mãe.

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Sua cachorra Lili.
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Quem vê minha cara de durona nem imagina que eu deixo essa coisinha me fazer de cama e ainda deixo usar meu edredom. (Samila)

Você, como mãezona, acredita que a discussão sobre gênero nas escolas ajudaria a sociedade a diminuir o preconceito contra LGBTS?

Sim, muito!! Instrução ainda é a melhor maneira de combater preconceitos.

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Sophia

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Raul

Já deixou de ir à casa de amigos queridos pós-maternidade?

Com toda certeza. Já deixei de ir, já deixei de receber… Na verdade, quando a gente se torna mãe, é que descobre quem são os amigos de verdade.

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Parceria, irmandade, amor, amizade… Não que seja sempre só isso, mas os nossos dias são feitos disso. (Samila)

Qual a maior dificuldade em ser mãe pra você?

Lidar com a solidão materna.

Como você encara o padrão feminino imposto pela mídia e sociedade patriarcal?

Eu era uma mina padrão, só escapei mais do padrão por ser negra. Mas, dentro do padrão negro, eu era o padrão ideal. Houve uma desconstrução imensa dentro da minha cabeça antes de conseguir aceitar que não sou mais assim. Hoje, minha aceitação é aquela luta diária, nunca cessa. Mas eu já consigo me olhar no espelho, experimentar uma roupa em lojas, não me deixar abater por não caber na maioria. E minha melhor forma de combater essa pressão é ensinar meus filhos a respeitar as diferenças entre as pessoas.

Sobre seu cabelo, o que ouviu que mais te chateou?

Que parecia que eu estava doente quando raspei a cabeça. Não foi só uma pessoa que disse isso! Levei na esportiva, claro, mas fiquei me perguntando por que as pessoas agem assim.

Acredita que recebe menos cantadas agora ou quando se enquadrava no “perfil mídia” era mais assediada?

Eu era muito mais assediada e aceita na sociedade quando era “perfil mídia”.

Teria mais filhos?

Jamais!

♥Bate bola com Samila♥

 

Comida que odeia: Salada de batata com chuchu.

Doce preferido da infância: Bala de banana.

Já teve coleção de papel de carta? Não.

Calcinha asa delta ou estilo cuequinha? Se eu tivesse que escolher, cuequinha. Porém, não uso.

Tênis ou salto alto? Tênis.

Com ou sem sutiã? Com top.

Uma música do Raça Negra: Cheia de Manias.

Meus filhos são: A representação do que é amor.

Amor ou paixão? Tem que escolher? Hahahaha… Os dois juntos! Acho que é algo complementar.

Homem ou mulher? Deus fez o homem e a mulher, e eu vou beijar os dois. (Mentira, atualmente, eu só quero mulher mesmo).

Pizza ou lasanha? Mas que pergunta capciosa! Pizza de brócolis e lasanha bolonhesa.

Qual lado que começa a comer coxinha? Do lado que tiver para cima.

Viagem dos sonhos: África do Sul.

Qual o seu lado na cama? O que estiver mais fácil pra levantar quando o Raul chama no meio da noite. (Esquerdo, atualmente).

Um segredo: Estou apaixonada e não sei o que fazer com isso.

Mania: Mexer na cicatriz que tenho na sobrancelha.

Não suporto: Mentiras!

Amo mais que chocolate: Meus filhos.

Amo mais que o fim do patriarcado: Sexo.

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@samilagessica

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Samila Silva

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About Janah Leite

Pedagoga, ama ser a mãe da Maria, engajada em políticas sociais. Gosta de inspirar as pessoas a viverem seus sonhos. Sempre tem uma visão positiva de seu posicionamento no mundo. Encara a viagem como uma busca constante de compreender o comportamento do ser humano, em suas diversas facetas, criando mais empatia e entendendo que somos iguais em diversas necessidades, independente da cor, religião, opção sexual e classe econômica.