O que nasce de mim não é moda – Empodera mais que tá pouco!

Minha história de transição capilar é igual de muitas outras pessoas pelo mundo, cada uma com seu jeito peculiar e sua história, mas uma coisa é igual: a vontade de libertação de um padrão que não é o nosso, que não nasceu conosco.

Quando era adolescente, fazia relaxamento em minhas madeixas, pois tinha que “abaixar o volume”, fiz durante anos, por muitas vezes apenas na raiz. Com 18 anos, descobri o Henê, que é uma tinta preta, que tinge de preto e alisa “naturalmente” os cabelos. Na época eu adorei, pois alisava mesmo, mas tinha que passar umas 12 vezes para ter o resultado de liso, pois ele alisava progressivamente. Era ótimo, pois, quando “pegava”, nem chuva enrolava, era melhor que escova progressiva. Com 32 anos, eu estava cansada de alisar os cabelos, já não estava feliz com o resultado. Olhava no espelho e não me sentia bem com aquele visual, mas não sabia o que fazer.

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Um ano antes via uma amiga com o cabelo sempre preso e ela dizia que tinha parado de fazer progressiva e iria deixar o cabelo natural, mas eu achei estranho. Meses se passaram e a via na parada de ônibus, na correria do dia a dia, e percebia o cabelo dela maravilhoso, cacheado, lindo!!! Lembrei que meu cabelo era igual ao dela, então perguntei o que ela fazia, disse-me que passou pela tal transição capilar, que fazia cronograma capilar, umectação e no poo. Ela explicou, explicou…. achei muito complicado e deixei pra lá. Essa história de ler rótulo de shampoo, condicionador, parafina, sulfato…. ela falava grego rsss.

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Meses se passaram e eu já estava sem fazer progressiva no cabelo, mandei mensagem para essa minha amiga, Mônica, pedi para ela me mandar as fotos dos produtos que ela usava, que eu iria comprar e com o tempo iria aprendendo, pois não entendia nada que ela falava sobre cronograma e no poo. Ela me adicionou nos grupos de transição capilar do Facebook e fui começando a entender aos poucos. Deixei meu cabelo crescer, minha transição durou apenas 2 meses, pois comecei a fazer o cronograma capilar (que nada mais é que hidratações a cada 2 ou 3 dias nos cabelos), fazia umectação com óleo de coco e via meus cachos na raiz cada dia mais lindos e fofos. Foi quando tive coragem de cortar meu cabelo. Iria cortar estilo Chanel, mas minha cabeleireira também me encorajou a cortar mais. Eu disse para ela: ─ “Então corta rápido, antes que eu me arrependa”.

Ela cortou e deixou uma franja, passou uma semana e falei para ela tirar o resto. Quando me olhei no espelho, senti-me horrível no primeiro dia, pois o cabelo ficou ressecado demais, olhei-me no espelho e pensei: “─ O que eu fiz”. Daí fiz uma hidratação power rssss. Já fui melhorando meu humor e descobrindo o quanto estava linda simmmmm!

Sabe quando tiramos um peso das costas? Uma libertação, esse é meu cabelo e irá crescer em paz da forma que nasceu! Poucas pessoas me criticaram, uma que até virou a cara para mim, passou um tempo e fez o mesmo, cortou os cabelos bem curtos (big chop, que é o grande corte em inglês).

Acredito que existem pessoas que não gostam das outras pelo simples fato de quererem fazer o que essa tal pessoa faz, como não conseguem e não têm a coragem que a outra tem, ficam criticando e até odiando. Mas a pessoa odiada nada fez para tal comportamento, ela vive plena, dona de si, irritando ainda mais o fã clube de revoltados. Não se preocupe com as pessoas que não gostam de você, pois elas muitas vezes não gostam nem delas.

Foram 12 anos alisando os cabelos, enquadrando-me em padrões da sociedade, tirando minha identidade, para quê? Agradar a quem? Agora, após 1 ano de Big Chop e sabendo cuidar dos meus cachos, eles estão cada vez maiores, vou deixá-los enormes, black, para incomodar quem tiver atrás de mim… rss. Ainda escuto, mas você pode dar uma “abaixada”, sabia que tem produto para tirar o volume… e assim vai.

Eu respondo para a pessoa: “─ Meu bem, você acha que cortei meu cabelo para depois “abaixar” ele de novo? Eu quero ele bem volumoso mesmo, bem escandaloso, para chamar a atenção mesmo!” Meu cabelo é divo é deve ser mostrado o máximo possível, não vejo a hora dele estar enorme.

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E você que está lendo, se tem cabelo crespo ou conhece alguém que tenha e queira voltar ao cabelo natural, incentive essa mudança, mas primeiro tem que ocorrer a mudança interna, empoderar-se de que é possível sim ser linda com o cabelo que nasce de você e não é moda. Moda é o que nos vendem desde quando nascemos pela mídia. Mas também se gosta do seu cabelo alisado, alise, não estou aqui para ditar regras e impor nada, seja livre.


Quer contar sua história de transição capilar aqui e publicar no Blog? Entre com contato e mande sua história para: redação@maeefilhatrips.com.br


Beijo da Mamis

Janah Leite

 

 

 

 

About Janah Leite

Pedagoga, ama ser a mãe da Maria, engajada em políticas sociais. Gosta de inspirar as pessoas a viverem seus sonhos. Sempre tem uma visão positiva de seu posicionamento no mundo. Encara a viagem como uma busca constante de compreender o comportamento do ser humano, em suas diversas facetas, criando mais empatia e entendendo que somos iguais em diversas necessidades, independente da cor, religião, opção sexual e classe econômica.