Equidade de gênero começa em casa – Empodera mais que tá pouco!

 

Primeiramente, vamos entender o que é machismo. Será que a sociedade atual está ciente do que é realmente o machismo? Acredito que não, você não deve saber, ou se sabe, toma meu abraço fraterno, pois, no meu dia a dia, deparo-me com situações consideradas banais, e não são não!!!

Pensar que machismo é o contrário de feminismo… Pare!!! Que tá feio.

Com tantas informações, porque insistem em achar isso?

Então vamos lá:

Machismo é o comportamento, expresso por opiniões e atitudes, de um indivíduo que recusa a igualdade de direitos e deveres entre os gêneros sexuais, favorecendo e enaltecendo o sexo masculino sobre o feminino.

Tenho um irmão que nunca precisou lavar louça por ser menino, já eu…

Ninguém nunca pegou no pé dele pelas roupas que ele usava, já no meu pé…

Esses são só alguns dentre os diversos motivos pelos quais, quando nova, desejava ter nascido homem. Hoje sei que, na verdade, nunca quis ser homem, e sim ter a liberdade que meu irmão mais novo tinha.

Minha mãe trouxe essa concepção de berço: “mulher é responsável pelo serviço doméstico”. Coisa que nunca entendi, pois ela, assim como o “homem da casa”, também sempre trabalhou fora. Tento acreditar que ela fazia isso inconscientemente. Já eu, desde muito nova, ficava indignada pelo simples fato de os meninos sempre dominarem a quadra na aula de educação física para jogar futebol.

Com o tempo, consegui organizar meu pensamento e entender toda a situação. A faculdade e alguns cursos de extensão pela universidade pública, na qual escolhi trilhar minha formação continuada, me ajudaram a entender como esse modelo de sociedade foi historicamente construído. Talvez por isso eu enxergue o machismo em situações que outras pessoas não enxergam. Machismo velado… talvez? Machismo explícito mesmo! Em diversas ocasiões, machismo enfiado guela abaixo, sem poder utilizar nenhum líquido para melhorar a digestão.

Simples comentários podem trazer concepções machistas, por exemplo, quando alguém diz para uma garotinha mais agitada que ela se comporta como menino. É machismo, percebeu? Afinal, não existe comportamento predefinido para meninas e meninos, assim como não existem brinquedos, brincadeiras e jogos proibidos para determinado gênero.

Eu poderia escrever um livro só com situações cotidianas sobre esse tema, mas vou tentar me limitar a um exemplo. Um rapaz foi morto há alguns dias em um bairro próximo à residência de uma colega de trabalho. A possível motivação do crime foi assunto no escritório, então fizeram os seguintes comentários:

─ Pode ser por causa de mulher. Provavelmente deve ter mexido com a mulher de alguém.

─ Mas também, né, tem mulher que pede! Coloca um shortinho deste tamanho (apontando para acima da coxa) e sai na rua. Parece até que anda caçando! Os homens mexem mesmo.

Eu claro que não me contive, virei e disse:

─ OOOOOOPPPPAAAAA, roupa define respeito? Poderia passar uma mulher nua ao lado do meu irmão que ele não mexeria. Isso é questão de respeito, comportamento se aprende em casa! Sabia que grande parte dos estupros é cometido contra crianças. Diga-me: será que elas se vestem para caçar? Pimenta no pensamento… Já respondeu a pergunta? Espero que não tenha pensado: tem criança que se veste sim…

Se pensou assim, seu problema é maior que eu imaginava.

Posso citar inúmeros outros comentários corriqueiros com fundo machista, feitos por mulheres que eu considero exemplo de profissionais e chefes de família *(sobre  mulher machista, esse tema ficará para outro texto, pois é de doer a alma). Mas continuando… como o de uma amiga, dessas muito próximas, que em um belo dia, enquanto tomávamos café e nossos filhos, ambos com cinco anos de idade, brincavam de “lutinha”, disse:

─ Cuidado filho para não machucá-la, ELA É MENINA!

O problema não está no “cuidado filho para não machucá-la”, e sim na justificativa “ela é menina”. Em meninos também não se batem. Percebe?

Eu, com todo o meu jeito de quem ama queimar sutiã, olhei para cara da minha amiga e só pensei, desisto do mundo!

Espero que o post tenha levado a refletir sobre o machismo.

 


Sobre a autora:  

Cah Santosthumbnail_310466_106155669537438_867284118_n

Aspirante à professora, geminiana de 1985. Louca por viagens e temakis. Mania de incorporar “a paranoica” esporadicamente. Viciada em café e apaixonada por animais.

Créditos: Sobre o que é o machismo. 

 

 


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About Janah Leite

Pedagoga, ama ser a mãe da Maria, engajada em políticas sociais. Gosta de inspirar as pessoas a viverem seus sonhos. Sempre tem uma visão positiva de seu posicionamento no mundo. Encara a viagem como uma busca constante de compreender o comportamento do ser humano, em suas diversas facetas, criando mais empatia e entendendo que somos iguais em diversas necessidades, independente da cor, religião, opção sexual e classe econômica.